O primeiro dia de Setembro marcou a data de mais um mediático evento da Apple, onde surgiram muitas novidades a que tivemos o prazer de assistir, em directo de São Francisco, mas na cidade de Londres.
O evento foi transmitido em directo pela Apple, com algumas pessoas a dizerem que tal terá servido de teste à capacidade da sua nova "quinta de servidores", que em breve começará a fazer streaming de conteúdos para milhões de utilizadores; enquanto outros criticavam o facto do streaming estar apenas acessível a equipamentos Apple, quando o próprio Steve Jobs argumenta a favor dos standards web.
As Apple Store pelo Mundo
Steve Jobs apareceu em palco e, depois de uma breve (e merecida) saudação pública ao seu colega Steve Wozniak, começou por falar das mais recentes Apple Stores – em Paris, Xangai e Londres – todas com uma arquitectura e design espectacular. A Apple continua a apostar na sua vertente da "diferença", e estas lojas são um passo importante e que é imediatamente visível pelo público que visita estes locais.
Estas lojas oficiais já se encontram espalhadas por 10 países, sendo que Espanha poderá tornar-se o 11º em breve. Em Portugal não há ainda nada de concreto, sendo o "serviço" prestado pelas lojas (muitas delas com designs que em nada ficam a dever a estas grandes lojas oficiais, embora em escala mais modesta… como é compreensível). Seja como for, o objectivo de diferenciação das lojas da marca das demais "lojas de computadores" parece-me ter sido já conseguido sem margem para dúvidas.
Dispositivos iOS
O passo que se seguiu centrou-se sobre os dispositivos iOS, iPhones, iPod Touch, e iPads. Todos eles capitalizam o sucesso que o sistema operativo e interface do iPhone proporcionaram ao permitir uma utilização simples via toque. Nunca é demais relembrar o quanto o iPhone transformou o mercado desde o seu surgimento. Neste momento são já cerca de 120 milhões de dispositivos, com 230 mil novas activações diárias. Um mercado que faz download de 200 Apps da App Store por segundo, e que totaliza já mais de 6,5 mil milhões de downloads. Quanto às Apps disponíveis, contabilizam mais de 250 mil para iPhone e iPod Touch, e até o recém-chegado iPad conta já com mais de 25 mil Apps.
iOS 4.1
Finalmente, a primeira grande novidade da noite! A tão aguardada actualização do iOS 4.0 está aí – e para além de inúmeras correcções (problemas do sensor de proximidade, Bluetooth, funcionamento no iPhone 3G, etc.) traz também novidades interessantes: fotos HDR (High Dynamic Range); upload de vídeos em HD via Wi-Fi para o YouTube; aluguer de programas de TV (séries e filmes); e Game Center.
A novidade mais “visível” será as fotos HDR. Esta funcionalidade – já possível recorrendo a várias Apps na App Store – vai passar a estar disponível de origem nos iPhone 4 com o iOS 4.1 e, basicamente, tira várias fotos com exposições diferentes, que são depois combinadas numa única foto final onde quer as partes iluminadas quer as partes sombreadas retêm o máximo de detalhe.
Já o Game Center vem tornar esta plataforma ainda mais interessante para os produtores de jogos. Steve Jobs não perdeu a oportunidade para dizer que é a plataforma móvel mais bem sucedida do mercado, ultrapassando já a Nintendo e Sony juntas.
A Epic foi chamada ao palco para demonstrar um dos seus jogos, que utiliza o Unreal Engine, e cuja qualidade gráfica é capaz de rivalizar – e até mesmo ultrapassar – alguns jogos de consolas dedicadas. Até que o jogo saia, podem entreter-se a ver que tal corre o Epic Citadel no vosso iPhone, bastando para isso pesquisarem por ele na App Store.
iOS 4.2
Para não nos deixar sem "nada para desejar" após a chegada do iOS 4.1 na próxima semana, Steve Jobs levantou já o véu sobre o futuro iOS 4.2, que será essencialmente orientado para o iPad. Há que reconhecer que os utilizadores de iPad se sentem um pouco "esquecidos". Enquanto os utilizadores de iPhone se vão divertindo com o multitasking e a organização das Apps em pastas, o iPad permanece "na antiguidade". Mas está para breve o iOS 4.2, prometido para Novembro. Para além de todas estas novidades, o iPad com iOS 4.2 poderá contar ainda com suporte para impressão (uma funcionalidade muito requisitada pelos utilizadores) e com o AirPlay – que falaremos mais à frente.
Novos iPod
E foi a vez dos iPods... O iPod Shuffle Nano e Touch sofreram importantes e significativos melhoramentos. O novo iPod Shuffle passa a conta com botões, playlists, e VoiceOver e está disponível por 49 euros. Mais interessante está o novo iPod Nano (tenho que admitir que desde o Nano de 2ª Geração nunca me senti atraído pelos Nanos que se seguiram, mas agora!). O iPod Nano perde a “Click Wheel” e passa a ser um pequeno quadrado dominado por um pequeno ecrã multi-toque. Útil ou não? Prático ou não? A verdade é que é um daqueles pequenos brinquedos que apetece ter! O interface faz lembrar o de um mini iPhone, onde se podem ver apenas quatro ícones de cada vez, mas que também pode servir de relógio, mostrador de fotos, etc. E, como "pormenor", podemos rodar o ecrã com dois dedos para se adequar à orientação que pretenderem. Para além do ecrã multi-toque deste novo iPod Nano, continuam a existir botões físicos para o volume. Prevejo que este Nano vá ter grande sucesso entre os desportistas, canibalizando até o mercado do Shuffle – mesmo custando três vezes mais.
Os preços dos novos iPod Nano são de 159 euros para o Nano de 8GB e 189 euros para o de 16GB.

iPod Touch
É aquilo que já se esperava. O novo Touch recebe o hardware do iPhone 4, mas mantém um design semelhante ao do Touch anterior, ainda que mais fino!
CPU A4, Retina Display, duas câmaras (frontal e traseira) e a capacidade de fazer videochamadas Facetime tornam o novo iPod Touch numa tentação irresistível para quem quer um iPhone 4, mas que tem sempre rede Wi-Fi por perto.
Os preços são de 229 euros para o de 8GB, 299 euros para o de 32GB e de 399 euros para o de 64GB – uma gama de preços que praticamente "obriga" a que a maioria opte pelo modelo de 32GB.
iTunes 10 e o Ping
O iTunes foi também alvo de actualizações, chegando à sua versão 10. Para além de alguns pormenores estéticos (quando têm mais de cinco músicas de um mesmo álbum ele agrupa as músicas com uma imagem do álbum em vez de repetir continuamente o seu nome, o que facilita a navegação por grandes colecções) a grande novidade é o Ping. Trata-se de uma rede social integrada no iTunes que pode ser considerara um misto de Twitter com Facebook, e orientada para a música. A Apple está a contar que, com uma base de 160 milhões de utilizadores de iTunes, este Ping seja um sucesso imediato e não há razões para duvidar disso. Os utilizadores habituais do iTunes podem partilhar e ficar a conhecer os gostos musicais dos seus amigos e artistas favoritos, tudo à distância de um simples toque.
Apple TV
A Apple diz ter olhado para as críticas dos actuais utilizadores de Apple TV, assim como para os desejos de quem não a comprou, para criar esta nova Apple TV. Bastante mais compacta (1/4 do tamanho), a nova Apple TV deixa de ser um "computador" para passar a ser um Media Player HD orientado para o streaming. Para isso, vem acompanhada com uma nova política de preços de filmes e séries em HD no iTunes, sendo que estes são mais baratos. A palavra de ordem da Apple deixa de ser "comprar e armazenar", para ser "alugar para ver quando se quiser". Aliás, como prova disso mesmo, a nova Apple TV nem tem armazenamento local, sendo todo o conteúdo disponibilizado a partir da rede (através de cabo Ethernet ou rede Wi-Fi N).
A Apple TV tem também acesso aos conteúdos do YouTube, Netflix, Flickr ou até mesmo aos conteúdos locais na vossa rede caseira. Graças ao AirPlay do iOS 4.2 no iPad, é também possível reproduzirmos conteúdos do iPad directamente no televisor através de um Apple TV.
Com HDMI e áudio digital óptico, este equipamento tem por base o mesmo CPU A4 presente no iPad, iPhone 4 e no novo iPod Touch. Talvez por isso esteja limitado à resolução de 720p.
Não digo que a ideia esteja mal pensada, mas infelizmente isto estará disponível num número restrito de países e, devido à complexidade das questões de licenciamento, não se sabe quando é que algo deste tipo poderá estar disponível em Portugal... o que é pena! De qualquer modo, com a chegada iminente da Google TV, esperemos que em breve possamos escolher aquilo que queremos ver, em vez de sermos forçados a pagar por pacotes de canais que – na maior parte das vezes – são maioritariamente constituídos por canais e programas sem qualquer interesse
Por: Carlos Martins



