Última hora

Zoomit.pt

Tecnologia

Enviar por E-mail Versão para impressão PDF

Os desafios e as potencialidades do HTML5

HTML5 “killed” the Flash-Vídeo Star?

O HTML5 traz uma nova série de desafios e potencialidades ao velho HTML. Actualmente a discussão centra-se na análise de saber até que ponto o HTML5 irá ou não, gradualmente, substituir o modelo actual de download e instalação de aplicações nativas.

Por: Justino Lourenço

Professor e investigador do Instituto Superior Politécnico Gaya. Consultor na área das Telecomunicações.

O HTML 5 foi considerado uma das tecnologias mais promissoras em 2010, depois do suporte integral do Google e duma série de “startups”, como foi o exemplo da Clicker. A Microsoft decidiu igualmente centrar o seu focus no HTML5 à custa duma forte integração no seu navegador Internet Explorer e Windows OS. A Apple também é uma das impulsionadoras, tendo igualmente ficado célebre a frase na comunidade "write once, run anywhere".


O HTML (HyperText Markup Language) definitivamente marcou e modificou a forma como hoje encaramos a Internet. É necessário recuar uns anos para chegar até a criação da primeira versão de HTML. A ideia e concepção foram da autoria de Tim Berners-Lee, físico britânico, cientista na área da computação e professor do MIT, responsável pela criação da World Wide Web (simplesmente conhecida por WWW) em 1989. Em 1990 a sua equipa conseguiu com sucesso a primeira comunicação “http” com um servidor via Internet. De referir que o primeiro servidor web foi criado num NeXTCUBE (criação de Steve Jobs) e esteve pela primeira vez online no CERN em 1991. O HTML, nas suas primeiras versões, apresentava uma sintaxe flexível com o intuito de atrair um número crescente de utilizadores.


A nossa actual experiência de navegação na Internet não seria a mesma coisa sem o aparecimento duma série de protocolos de comunicação (tais como o TCP, UDP e IP) e o aparecimento do HTML. Este foi o primeiro esforço para a criação dum formato inteligível pelos navegadores (browsers), permitindo embutir na visualização texto, imagens e, posteriormente, conteúdos mais ricos como os de multimédia.


O HTML passou por várias versões, sempre com novas funcionalidades, e estendeu artificialmente os seus limites recorrendo a plugins que permitem aos browsers a visualização de conteúdos de formatos específicos e a execução de conteúdos multimédia. A estratégia dos plugins fez parecer que o HTML não apresentava limites, mas tinha e tem as suas desvantagens. Os plugins obrigam à utilização de mais recursos e o HTML5 veio quebrar esse constrangimento. O HTML5 é, portanto, a quinta versão da linguagem HTML. As suas novas potencialidades vão alterar profundamente a sua aplicação com uma nova semântica e acessibilidade, permitindo a integração de novas funcionalidades e tecnologias até aqui inviáveis de serem suportadas pelas versões anteriores do HTML. A sua crescente vulgarização nos mais variados tipos de browsers permite uma visão e aplicação mais universal.


O impacto do HTML5 é já bem notório: uma das tecnologias que começou a ser "ultrapassada" foi o Flash. Contudo, existia a preocupação das aplicações que já estavam desenvolvidas nesta tecnologia. O Google resolveu o problema com o Swiffy, um novo serviço que permite uma reconversão sem a necessidade de escrever uma única linha de código. O Swiffy ainda não permite o suporte da totalidade dos conteúdos Flash, estando ainda limitado ao SWF 8 e ao ActionScript 2.0.


Os grupos de discussão e eventos têm-se igualmente multiplicado. No passado dia 7 de Julho, realizou-se o primeiro evento organizado pela comunidade em Portugal – HTML5 PT. O evento permitiu a troca de experiências e teve o seu focus em dois temas: aplicações offline e novas APIs no HTML5.

E o que o HTML5 realmente tem de novo?

Se procurarmos enumerar as principais particularidades que o HTML5 fornece, chegamos a uma lista que nos ajuda a compreender o seu potencial: potencialidade de esboços 2D e transformações 3D; leitura de áudio e vídeo embebida; optimização da entrada de dados em formulários; offline caching, armazenamento local e acesso client-side a uma BD SQL; user-defined data; e permite utilizar as API Geolocation, Web Storage, Web Messaging, Web Sockets e Web Workers.


Todas estas capacidades permitem ao HTML5 subir uns patamares em termos de capacidades. Vai competir e até mesmo substituir as soluções Flash/AIR como uma plataforma adequada para o desenvolvimento de conteúdos ricos para a Internet, substituindo o modelo actual de suporte de serviços e entretenimento via instalação de aplicações. A título de exemplo, o website do New York Times utiliza HTML5 para incorporar conteúdos multimédia sem o apoio do habitual Flash. A estratégia foi um pouco forçada pelo browser Mobile Safari, que fez com que a direcção tenha sido no sentido do HTML5, para não privar os utilizadores do iPad, iPhone ou iPod Touch de conteúdos. O papel da Apple foi fundamental como catalisador da adopção do HTML5. Segundo o director da área tecnológica da Razorfish, Michael Scafidi, o crescimento de cota de mercado dos dispositivos móveis da Apple, associado à estratégia do Mobile Safari, foi o impulso necessário que o HTML5 necessitava. Apenas sectores específicos, como o da publicidade, poderão resistir à migração para o HTML5. Contudo o Swiffy (já descrito neste artigo) poderá ajudar a ultrapassar essa barreira.  

O Universo das aplicações nativas

Actualmente, o modelo existente no mercado contempla a criação duma aplicação nativa que, por sua vez, é distribuída numa App Store e, posteriormente, instalada na memória do dispositivo móvel. As aplicações nativas têm sido o modelo utilizado para adicionar novas funcionalidades e serviços nos dispositivos móveis. Vários dados apontam para que as vendas de aplicações móveis atingirão o seu pico em 2013, prevendo-se alguma desaceleração a partir dai.


As aplicações nativas têm permitido uma melhor interacção e consequentemente uma melhor experiência e performance no dispositivo móvel, em parte porque a interacção dos utilizadores com os browsers nos telemóveis nem sempre têm tido a melhor experiência, em especial quando é necessária a introdução de dados. Como estas aplicações são customizadas para um determinado sistema operativo e correm em memória, são menos sujeitas à imprevisibilidade do resultado quando visualizados em múltiplas soluções de navegação.


Outra questão pertinente tem a ver com a rede. Apesar do esforço duma cobertura consistente das redes 3.5G (e do roaming em redes Wi-Fi), a verdade é que a performance destas continua a resultar em más experiências de browsing. Ao recorrer ao conteúdo residente em memória, a solução da aplicação nativa apresenta performances mais estáveis.
Por último, os programadores têm mantido uma estratégia de procurar desenvolver em plataformas específicas: Android ou iOS, que permitem que as suas aplicações sejam distribuídas por um número elevado de utilizadores.


Mas esta estratégia também tem os seus inconvenientes. Uma aplicação nativa distribuída numa App Store pode ficar perdida no meio de muitas outras, no meio de aplicações nativas sem qualquer utilidade e interesse por parte dos utilizadores. O fenómeno de multiplicação do número de aplicações disponíveis criou algum caos na maior parte das App Stores. Segundo o vice-presidente Matt Shea, da WildTangent, a dificuldade das lojas de aplicações em categorizar e organizar as aplicações tem sido uma barreira relevante na disseminação destas. É frequente um utilizador, perdido no meio duma oferta dispersa, não sentir qualquer tipo de impulso para descarregar a aplicação nativa adequada. Refere ainda que é essa a razão do aparecimento destas lojas especializadas, de jogos por exemplo.

HTML5 é um Killer-Application?

O HTML5 é um forte candidato para destronar a solução de aplicações nativas em múltiplos cenários. A este propósito a Adobe já reagiu e apresentou a solução Edge. A empresa anunciou que o Edge é, e passo a citar "uma ferramenta de design que permite  aos web designers a criação de animações de forma similar às em Flash, para websites que estejam suportados por HTML, JavaScript e CSS". A preocupação da Adobe foi claramente no sentido de não perder o mercado que detinha com a tecnologia Flash, depois da chegada do HTLM5.


A preocupação pertinente é o desenvolvimento de um conteúdo que garanta uma visualização universal (incluindo nos mobile browsers). O HTML5, definitivamente, tem do seu lado o facto de permitir a visualização correcta independentemente do navegador utilizado. Assim, a questão já não pode ser posta na forma: o HTML5 tem um grande suporte móvel. Passa, sim, a assumir-se como o melhor para a visualização de conteúdos em dispositivos móveis. Ao abrir a porta para a concepção de websites que funcionam em tablets ou smartphones, o HTML5 permite fornecer conteúdos de forma eficiente à, cada vez maior e heterogénea, nuvem de dispositivos móveis que usamos no nosso dia-a-dia.

Até que ponto o HTML5 pode efectivamente destronar o crescimento de aplicações nativas?

É uma questão que no curto-prazo será esclarecida, mas é evidente que há uma tendência para a deslocalização de parte do processamento e armazenamento para uma nuvem. É a solução que no curto-prazo irá permitir minimizar o esforço do hardware local e levará ao aparecimento de dispositivos móveis com autonomias no funcionamento impressionantes.

 

Conclusões

O HTML5 é a solução que tem gerado mais consenso na comunidade, em particular depois do empurrão de Steve Jobs, que milita activamente contra a tecnologia Flash. Basta tomar em consideração o facto da Apple voltar a exceder as expectativas, com o terceiro trimestre fiscal, concluído a 25 de Junho, voltando as vendas a surpreender com um aumento de 82% relativamente ao período homólogo, com o iPhone e iPad em destaque. Focando a análise nos números, entre Março e Junho, a Apple vendeu 20,3 milhões de iPhones e 9,3 milhões de iPads. O facto do iPhone usar o Safari e este ter suporte HTML5 é um forte ataque. A condicionar ainda mais a balança, temos o facto dos actuais smartphones terem suporte HTML5.


É o fim definitivo das aplicações nativas e do conceito das App Stores? Não, apesar das potencialidades do HTML5 que, por exemplo, permite invocar funções como a de geolocalização. Explicando de outra forma, uma aplicação nativa que realmente explore ao máximo o hardware do terminal móvel terá mais funcionalidades e potencialidades que uma desenvolvida em HTML5.


E a rede móvel está do lado de quem? Apesar das constantes evoluções que desde o 1G nos aproximam agora do 4G, a verdade é que ainda existe uma heterogeneidade de coberturas. Actualmente, uma viagem pelo país mostra que estaremos registados em GPRS, EDGE e em 3.5G. Este factor condiciona a opção de usar um browser em detrimento duma aplicação que usa os recursos de rede de forma descontínua. Por último, e como já foi referido, a experiência dos utilizadores nos browsers móveis nem sempre tem sido a melhor: velocidades de acesso flutuantes e dificuldade na interacção com o browser.


Mas algo é óbvio: se os dispositivos móveis suportam HTML5 este certamente começará a massificar-se. E, como procurei explorar ao longo deste artigo, penso que continuará a haver espaço para aplicações móveis e para o recurso ao HTML5, tudo dependendo do tipo de experiência e das potencialidades que se pretendam fazer chegar ao utilizador final, tenha este um acesso móvel ou fixo. Mas que o "write once, run anywhere" é tentador, lá isso é!

 

 

 







Actualizado em Quinta, 13 Outubro 2011 15:41
Enviar por E-mail Versão para impressão PDF

As telecomunicações também podem contribuir para um mundo mais verde?

A pegada ecológica nas telecomunicações

A área das telecomunicações tem sido uma das indústrias com maior crescimento na última década e uma das prioridades é comunicar de forma eficiente mas, ao mesmo tempo, com uma preocupação ecológica.

Por: Justino Lourenço
Professor e investigador do Instituto Superior Politécnico Gaya. Consultor na área das Telecomunicações.
Contacto: Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar


A indústria ICT (sigla inglesa para indústria da informação e tecnologia de comunicação) tem apresentado uma forte tendência de inovação e consequente crescimento sustentado e acelerado. Estima-se que cerca de 2 a 10% da energia consumida a nível global seja da responsabilidade deste sector. A proliferação de suportes tecnológicos de comunicação, em especial na rede 3.5G/4G, tem vindo a contribuir com uma parcela cada vez mais relevante neste consumo global. A necessidade de taxas de comunicação crescentes, aliadas a preocupações com a QoS (Qualidade de Serviço) tem conduzido a uma segmentação crescente das redes móveis. Consegue-se, assim, uma optimização da cobertura, mas pagando o preço da proliferação de estruturas de suporte de antenas pelo globo. Aparecem, desta forma, novos desafios ao nível da redução dos consumos energéticos destas estruturas que estão a surgir.

Desafios na rede cablada

A rede cablada a nível global tem vindo a sofrer uma das maiores revoluções na história das telecomunicações. O fim do domínio do cobre como suporte essencial das comunicações cabladas trouxe mudanças fundamentais ao nível da qualidade dos serviços de telecomunicações, mas também ao nível do consumo da energia.


A tendência actual é a criação de um esqueleto denso que leva fibra óptica a qualquer ponto geográfico. Esta massificação das fibras ópticas como um canal de elevada capacidade, que permite a convergência de múltiplos canais de comunicação num único suporte, está a permitir a concentração de informação num único suporte óptico. Além da elevada capacidade, a fibra óptica, que apresenta uma atenuação por quilómetro bastante inferior ao do cobre, permite a redução do número de repetidores (regeneradores) que são necessários ao longo de uma ligação. Esta redução do número de repetidores, associada a uma maior largura de banda, irá permitir algum decréscimo no balanço do consumo energético. Contudo, esta suposta redução da pegada de CO2 poderá ser contrariada pelo facto das redes de telecomunicações estarem igualmente a crescer, chegando a pontos onde no passado recente não existiam necessidades de comunicação.


Por último, o que poderá ainda ser feito? Optimização dos mecanismos de hibernação (Power Save), desde o mais elaborado dispositivo de rede até ao mero receptor de TV digital, de forma a reduzir ao máximo o consumo dos dispositivos de comunicação quando estes não estão a ser utilizados. A diferenciação positiva dos dispositivos de comunicação também deverá ser efectuada recorrendo à sua classificação em termos de eficiência energética: um consumidor ou empresa deverá tomar a decisão de compra baseada nas performances anunciadas e também na poupança na factura de energia.

Redes móveis

A já referida proliferação das estruturas de suporte para comunicação móvel tem vindo a trazer novos desafios ao nível da gestão dos consumos de energia. A taxa de crescimento do tráfego de dados nas redes móveis está a atingir uma taxa de 108%, segundo os dados da CISCO Visual Networking Index, Global Mobile Data Traffic Forecast Update 2009-2014. Este crescimento acentuado é suportado pelo incremento na utilização de smartphones e acessos móveis dos mais variados dispositivos que recorrem a ligações 3G/3.5G. Será importante que na concepção do hardware o focus deixe de ser apenas o aumento das funcionalidades e taxas de comunicação, mas também a questão da eficiência energética dos dispositivos. Este aumento das infra-estruturas de comunicação móvel e da utilização dos recursos gerados com esta taxa anual de crescimento representa um forte contributo no aumento das emissões de CO2. A literatura científica neste campo já mostra que existe esta preocupação na área do I&D, que certamente se irá reflectir no curto prazo na concepção dos sistemas de telecomunicações móveis do futuro.


A proliferação de estações base (BS) que irão garantir uma eficiente cobertura para as futuras redes 4G é, obviamente, um dado preocupante. A crescente segmentação das redes móveis em células de menos dimensão traz a vantagem de ser necessário menos potência envolvida na comunicação pelos dispositivos móveis. Recentemente foram tornados públicos alguns estudos médicos que apontam para riscos para a saúde humana resultantes da utilização de telemóveis. Esta redução da potência envolvida irá certamente resultar numa redução desse risco. Contudo, o facto de existirem mais estações base implicará um incremento no consumo global de energia, a não ser que seja repensada a sua concepção. O aumento de estações base irá igualmente aumentar o tráfego comutado entre as várias estações, pois um utilizador em mobilidade com alguma rapidez terá necessidade de sucessivos “handovers”. Tendo a mobilidade um comportamento estatístico, é de alguma complexidade estimar os recursos e controlar este fluxo que irá aumentar. Actualmente, uma estação base que esteja operacional, mesmo que não esteja a gerir tráfego, apresenta uma margem de consumo ainda considerável: necessita de garantir emissões regulares em potência para se anunciar aos potenciais visitantes móveis e o suporte de refrigeração estará igualmente activo, representando um consumo energético não desprezável. Uma possível abordagem, em situações de baixa utilização da rede numa zona, poderá passar por uma desactivação temporária de algumas dessas estações (Sleep Mode). Esta abordagem é possível pois as restantes estações activas na zona poderão garantir o deficit de cobertura que resulta do referido Sleep Mode. Esta estratégia poderá igualmente passar por uma solução de “wireless relay” e uma afinada estratégia de cooperação inter-BS.


O recurso a sistemas avançados de antenas adaptativas permite a concentração do feixe de potência numa zona específica, onde realmente existem carências de canais de comunicação. Recorrendo a estruturas de antenas adaptativas é possível controlar o redireccionamento do sinal em função do comportamento estatístico na mobilidade dos utilizadores. Ao contrário da abordagem tradicional, onde cada sistema de antenas garante uma cobertura homogénea de uma zona, esta abordagem permite a adaptação do perfil de radiação em função das constantes mudanças na concentração geográfica  dos utilizadores. Supostamente serão conseguidos ganhos importantes ao garantir que as antenas se vão adaptando aos cenários de comunicação.


Na literatura da área também aparece uma referência crescente para uma nova solução – Green Cellular Architecture. De uma forma resumida, esta solução distingue o tráfego de uplink do de downlink, utilizando Green Antennas nas proximidades do dispositivo móvel, conseguindo-se que este utilize menos potência na comunicação, aumentando a sua autonomia e, mais uma vez, o risco de saúde inerente à sua utilização. Esta estrutura de Green Antennas poderá ser conectada recorrendo a estruturas cabladas (como fibra óptica) ou a feixes altamente direccionais. Ao reduzir a potência envolvida na comunicação reduzimos ainda o risco de interferência e assim conseguimos optimizar a rede.

 

A solução das femtocells que garante coberturas “indoor” específicas é igualmente vantajosa pelas mesmas razões que foram anteriormente apresentadas.

 


O recurso à utilização de sistemas de alimentação apoiados em energias renováveis, como a solar ou a eólica, que já são uma realidade em Portugal e mesmo a nível global, permite igualmente decréscimos importantes na pegada ecológica das redes de telecomunicações. A utilização simultânea das duas soluções permite uma redundância importante para garantir um fornecimento de energia eléctrica ao longo do dia, fortemente suportado pelo recurso a energias renováveis.


Esta abordagem trará imensas vantagens para os operadores: ausência de exposição a custos variáveis da energia eléctrica e reduzida manutenção.


Por último, uma nova abordagem na concepção dos terminais móveis é igualmente importante: é necessário procurar aumentar a performance tendo igualmente em conta o factor autonomia do dispositivo; a implementação de sistemas de hibernação mais sofisticados, que sejam activados sempre que o dispositivo não utiliza qualquer um dos seus recursos; ou a procura de sistemas de display ainda mais económicos com controlo automático de iluminação em função da luz ambiente. Algumas destas soluções, contudo, já são implementadas por alguns fabricantes.

Conclusões

A questão da pegada ecológica passou a fazer parte da agenda do nosso dia-a-dia. A criação de grupos de discussão e projectos tais como o Mobile Virtual Centre of Excellence (VCE) em 2009, que manifestam preocupação com a eficiência energética das futuras redes móveis, são um contributo relevante.


É necessário repensar estratégias de produção e planeamento tradicionais das redes de telecomunicações e transpor o focus para a questão ambiental. Esta estratégia deve ser concertada, incentivada e com uma adequada legislação de suporte. Só assim poderemos aspirar que os próximos 10 anos sejam uma década onde a qualidade de vida a nível global melhore com um planeta mais verde. 


 

 

Actualizado em Segunda, 19 Setembro 2011 15:33
Enviar por E-mail Versão para impressão PDF

TDT - Televisão Digital terrestre

A tecnologia está em constante evolução e, no caso das emissões de televisão, estamos agora perante uma transição que rompe com as tecnologias do passado. A Televisão Digital Terrestre (TDT) já chegou a Portugal e em breve terá início a segunda fase desta operação, onde começarão a ser desactivados os emissores de televisão analógica.

Por: Carlos Martins


Para evitar um “apagão televisivo”, o melhor é estar informado sobre o que é a TDT e tudo o que vai mudar.
Com a passagem para as emissões digitais os espectadores passarão a ter direito a uma melhor qualidade de imagem e a funcionalidades melhoradas (guias de programação, pausa da imagem, gravação digital, etc.).


Se já subscreve um serviço de TV por cabo ou por satélite não tem que se preocupar com nada pois tudo continuará a funcionar como sempre funcionou. No entanto, para todos os portugueses que continuam a ver TV captada por antenas tradicionais e que têm televisões mais antigas, a passagem para o digital vai obrigar à aquisição de caixas descodificadoras do sinal digital. São estas caixas que têm originado alguma confusão uma vez que muitos assumem que terão que passar a pagar alguma mensalidade. Algo que é totalmente errado e falso! Para além do custo de aquisição de uma caixa descodificadora – ou de um novo televisor compatível com os sinais TDT – o novo sistema digital continua a ser completamente gratuito, tal como a TV analógica o era anteriormente. Ou seja, pode continuar a ver os canais nacionais sem necessidade de pagar qualquer tipo de mensalidade.

Os equipamentos

Existem múltiplas e variados modelos de caixas descodificadores, com preços que começam nos 35 euros, mas que podem atingir várias centenas no caso dos modelos mais evoluídos com capacidade de gravação digital dos canais. No caso das zonas cobertas via satélite, será necessária a aquisição de um kit satélite da PT com um custo de 77 euros (excluindo o custo do prato receptor de satélite). Nos casos de televisores mais antigos, sem ficha HDMI ou SCART, poderá ser necessário a aquisição adicional de um modulador de sinal.

Disponibilidade

A TDT está já disponível para a totalidade da população portuguesa (ainda que 13% desta tenha que recorrer a receptores via satélite) sendo a emissão analógica desligada de forma faseada a partir de Janeiro do próximo ano: a 12 de Janeiro de 2012 serão desligados os emissores e retransmissores que cobrem a faixa litoral do território, em 22 de Março serão desligados os emissores e retransmissores dos Açores e da Madeira, seguindo-se, a 26 de Abril, o resto do território.
Nas zonas piloto de Alenquer, Cacém e Nazaré o sinal será desligado mais cedo, no próximo dia 13 de Outubro.

Vantagens

O que temos a ganhar com a TDT? Para além de uma qualidade superior de imagem e som – que passa a poder ser de Alta Definição – a televisão digital vem acompanhada de novas funcionalidades como é o caso do EPG. Este serviço é um guia de programação electrónico, o que pode ser considerado como o “teletexto” do século XXI, e que dará acesso a informações sobre os vários programas, horários, acesso a gravações (dependendo da caixa descodificadora usada), etc.

Quando?

As emissões analógicas começarão a ser desactivadas a partir de Janeiro de 2012 de forma faseada, pelo que o melhor é precaver-se o quanto antes e certificar-se que deu o salto para o digital antes de ser obrigado a fazê-lo quando ligar a TV e, em vez dos canais habituais, se deparar com um ecrã vazio.

Fases de transição para televisão digital

As três regiões piloto onde o “apagão” analógico já ocorreram foi no retransmissor de Alenquer a 12 de Maio, no de Cacém a 16 e Junho, e posteriormente na Nazaré a 13 de Outubro.
Contudo, a partir de 2012, seguem-se mais três fases:
1ª fase – 12 de Janeiro
2ª fase – 22 de Março
3ª fase – 26 de Abril

Outras informações

Para informações mais detalhadas, para saber se está numa zona de recepção directa (zona TDT) ou de recepção por satélite (zona DTH) ou condições de compra do equipamento descodificador ligue grátis 800 200 838 ou consulte a página www.tdt.telecom.pt.


Mais contactos:
www.facebook.com/tdtoficial
www.anacom.pt




Actualizado em Terça, 13 Setembro 2011 11:11
Enviar por E-mail Versão para impressão PDF

O novo regime do ITUR

A evolução constante na área das telecomunicações traz novas exigências e novos desafios. O ITED, em  conjunto com a ITUR, procura ir de encontro aos actuais e futuros desafios.

 

Por: Justino Lourenço e Sérgio Santos

 

Este artigo vem na sequência das recentes mudanças que ocorreram ao nível do ITED e ITUR. Tendo o ITED já sido tratado num artigo prévio, este procura salientar a evolução que foi o aparecimento da ITUR e os seus impactos ao nível da oferta de serviços de banda larga.

 

A evolução esperada

As redes de telecomunicações introduzem novas funcionalidades, permitem o aparecimento de novos desafios e a descoberta de serviços inovadores. O perfil do actual cliente de serviços de telecomunicações foi-se alterando, havendo actualmente mais exigências em termos de critérios de qualidade, facilidade de acesso e parâmetros da comunicação. A necessidade de uma constante normalização é uma questão cada vez mais importante, estando o acesso com qualidade e a universalidade de acesso fortemente dependentes de uma adequada normalização.

 

A preocupação com a ITUR (Infra-estruturas de telecomunicações em Loteamentos, Urbanizações e Conjunto de Edifícios) resulta dessa necessidade de uma forma recorrente de normalização, permitindo assim uma maior fiabilidade/serventia estrutural das redes de comunicação (par de cobre, coaxial e fibra óptica).

 

Estas podem ser segmentadas em duas tipologias distintas: as ITUR públicas (localizadas no domínio publico) e as ITUR privadas (localizadas no domínio privado). O propósito de ambas é o alojamento de espaços e redes de tubagem adequadas à instalação das redes de cabos e outros dispositivos afectos às respectivas redes de comunicações electrónicas.

 

Organizadas fisicamente recorrendo a uma tubagem de acesso, redes de tubagem principal e redes de tubagem de distribuição, constituídas por tubos e acessórios, câmaras de visita, salas técnicas, galerias, armários e bastidores, foram pensadas para permitir uma exploração adequada e organizada da tecnologia emergente sobre a fibra óptica. A massificação da instalação da fibra óptica irá permitir a difusão de serviços de qualidade. O potencial da largura de banda associado às suas características, que permitem uma inferior atenuação e uma maior imunidade a ruídos e interferências, transformam esta solução num canal de superior qualidade aos das restantes soluções. É expectável o aparecimento e o crescimento de novos serviços, servindo como um suporte adequado para a implantação das Redes de Nova Geração (RNG).

 

Um dos focus na concepção das ITUR é a procura do desempenho com elevada eficiência, permitindo o acesso universal dos vários clientes a serviços tecnologicamente inovadores, não descurando as condições de segurança exigíveis. Com o cuidado presente em futuras necessidades de upgrade e dada a sua relativa facilidade de instalação, apresenta vantagens, pois não só evita a necessidade de intervenções intensivas (obras subsequentes), como também privilegia a estética na instalação. Permite e facilita o acesso dos diversos operadores à mesma rede de comunicações, o que proporciona uma real e efectiva universalidade dos acessos por parte dos operadores e clientes finais. Permite um fácil acesso para manutenção dos equipamentos activos existentes e intervenções necessárias na rede, diminuindo a necessidade de visitas técnicas aos edifícios da urbanização.

 

As condicionantes presentes na avaliação dos requisitos funcionais das ITUR estão relacionados com: a classe ambiental associada à utilização dos materiais e equipamentos, viabilidade técnica, custos dos materiais e da execução. As questões a ter em conta para a implementação num dado local estão relacionadas com a tecnologia disponibilizada, protecção (Segurança), durabilidade, rastreabilidade, existência de obstáculos no subsolo, tempo e facilidade de execução, posicionamento (rede principal e rede de distribuição) e restantes restrições regulamentares.

Na componente ambiental existe uma particular preocupação nos cenários de solos sulfurosos, especializando-se na aplicação de materiais específicos que apresentem resistância a este tipo de ambientes. A rede de tubagem deve ser subterrânea, procurando sempre evitar a construção de tubagens em zonas de nível freático elevado. Com alguns cuidados presentes ainda na fase de projecto, tais como o levantamento topográfico e características do terreno, tipos de edifícios e respectivas utilizações, necessidades e carências, localização da urbanização e possíveis zonas de expansão, planta com arruamentos e acessibilidades, é possível prêver/antecipar alguns contratempos e reduzir custos na execução das ITUR.

 

Mais na edição impressa nº 149

 

 

 

Actualizado em Terça, 26 Julho 2011 15:29
Enviar por E-mail Versão para impressão PDF

À procura de futura aplicações e serviços

As inovações esperadas nas redes móveis

Inovar é a palavra-chave para a conquista de mais mercado no sector das tecnologias e serviços móveis. A evolução das redes móveis constitui um desafio crescente para os vários players envolvidos. Estando o focus concentrado na diferenciação dos serviços, na satisfação do cliente e no aumento do ARPU (Average revenue per user ), é de extrema importância o desenvolvimento de novas aplicações.

 

A tendência actual é para uma redução das receitas provenientes da venda de minutos de voz, o que traz novos desafios para os operadores. A estratégia actual tem apontado no desenvolvimento de aplicações directamente descarregadas ou a aposta numa nuvem de serviços. Esta é a estratégia que está a ser utilizada de forma diferenciada: os fabricantes de terminais móveis têm apostado em lojas de aplicações (Android Market, App Store ou BlackBerry App World). Em paralelo, players fortes da área da Internet parece ter igualmente dirigido a sua estratégia para o fornecimento de serviços na Cloud (Microsoft e Google), permitindo que o utilizador consiga aceder a aplicações e respectivos conteúdos independentemente do suporte de acesso móvel que utilizam.

 

Actualmente, assiste-se a uma massificação da utilização de aplicações associadas a redes sociais, conteúdos multimédia, actividades de entretenimento, serviços de apostas online e jogos.

 

As redes móveis apresentam taxas de acesso crescentes, cujo mesmo se democratizou de uma forma impressionante. Ao nível do hardware, a massificação dos ecrãs tácteis e o aparecimento de soluções de telemóveis apoiados em processadores Dual Core estendem as possibilidades e o grau de sofisticação dos novos serviços.

 

O projecto

Sendo esta uma área interessante e em constante evolução, arrancou no final de Fevereiro um projecto que envolve o Instituto Superior Politécnico Gaya (departamento de Eng. Telecomunicações e Computadores, e o de Informática e Gestão), associado à GKM, que tem o seu know-how na área da procura, concepção e consultadoria de ideias inovadoras na área digital, e à publicação zOOm i.t., que igualmente representa a mais-valia ao deter um forte know-how na área da divulgação e estudo de soluções na área das telecomunicações.

 

O projecto em causa, contempla várias fases que pretendem de uma forma fundamentada chegar a resultados conclusivos sobre qual a aplicação/serviço inovador com mais potencial emergente. Numa primeira fase está a ser efectuado um levantamento exaustivo dos vários serviços existentes e os impactos nos utilizadores. Este levantamento está igualmente a ser conduzido recorrendo a uma análise ao nível da bibliografia científica, para entender o que é “state-of-the-art” na área.

Este estudo exaustivo irá continuar com a elaboração de um inquérito que pretenderá avaliar o perfil dos utilizadores, as suas aptidões, o universo de aplicações que utiliza e tentar perceber qual será o rumo desejável na procura de uma “Killer-application”. O inquérito será o ponto de partida para a procura de conclusões interessantes e está disponível para quem quiser participar nesta investigação no site da zOOm i.t. em  HYPERLINK "http://www.zoomit.pt" www.zoomit.pt.

 

Mais na edição impressa nº 148

 

Por: Justino Lourenço, Duarte Nuno e Maria Cidalina Silva


 

 

Actualizado em Quarta, 08 Junho 2011 11:27

Pág. 1 de 3