Revolução portátil
Jogar uma consola portátil com ecrã em 3D sem recurso a óculos, foi a promessa – agora cumprida – da Nintendo. E funciona?
A primeira sensação ao pegarmos na Nintendo 3DS é de que estamos perante algo menos “infantil” que as DS/DSi, e até para ser usado com mais cuidado, sensação que, no nosso caso, foi reforçada por termos tido acesso a uma unidade mais sóbria, em negro com a base cor de titânio.
Ligeiramente mais pesada que a DSi, as dimensões são bastante aproximadas. A 3DS é cerca de 3mm mais alta, mas mais curta na mesma medida. Aberta, e prontos para começar a jogar, deparamo-nos com um ecrã superior (o que tem a função 3D) maior, enquanto que o ecrã táctil em baixo passa a ter uma maior resolução (de 320x240 pixéis, quando era de 256x192p). O que salta à vista também é o novo botão deslizante analógico no lugar onde estava o D-Pad, que passou uns dois centímetros mais para baixo. Por baixo do ecrã táctil temos agora os botões de Start e Select, e ainda o novo “Home”, com o qual podemos aceder ao menu da consola a qualquer momento, mantendo a aplicação/jogo em que estávamos em suspenso. Temos ainda, de origem com a consola, um cartão de memória SD de 2GB.
Depois, vem o choque inicial. A primeira sensação, nossa e de todos os que demos a experimentar a consola a primeira vez com imagem em 3D foi de ligeiro recuo e piscar, custando a olhar fixamente para o ecrã sem semicerrar ou desviar os olhos. Mas é apenas o impacto inicial, e antes de recorremos a um outro botão, o regulador da função 3D, acessível no lado direito do ecrã superior, que permite desligar o efeito tridimensional ou regulá-lo progressivamente até à profundidade máxima. O recomendado é colocar a consola entre 25 a 35cm dos olhos, e terá de estar perfeitamente à sua frente, ou veremos as imagens a duplicarem. Mas a verdade é que o efeito 3D tem mesmo de ser encarado com precaução, pois o manual de instrução recomenda pausas a cada meia hora quando se usa o 3D, e avisa que crianças até aos 6 anos (inclusive) não deverão jogar a consola com o 3D activado.
Os jogos que nos foram disponibilizados para este primeiro teste da 3DS, “Nintendogs + Cats” e “Streetfighter IV 3D Edition” foram bem elucidativos do potencial do sistema. O primeiro com gráficos mais realistas, bem para além do “cartoonesco” comum na DS, e o segundo mais Arcade, com cores brilhantes e garridas, ambos demonstraram bem a eficácia do sistema 3D da Nintendo, e deixaram antever tudo o que ainda estará para vir, quando os estúdios puserem mãos à obra (já puseram certamente) e nos mostrarem os seus produtos para a 3DS nos próximos meses.
Desde que à distância e na posição correcta, a sensação de 3D é bem acentuada, e mesmo sem comprar jogos podemos desfrutar de outras aplicações já instaladas, como o jogo RA (realidade aumentada) a que acedemos com ajuda de um dos cartões disponíveis, ou o divertido Face Raiders, para além da possibilidade de tirarmos fotografias 3D. De recordar ainda que a Nintendo 3DS é compatível com os jogos das DS/DSi, que, obviamente, são jogados em perspectiva 2D.
Se funciona? Funciona mesmo. E, mais para o Natal, quando a oferta de jogos 3D para esta portátil invadir as lojas, será mesmo “o” gadget da quadra (isto se os portugueses ainda tiverem subsídio de Natal na altura).
Por: Luís Carlos Sousa